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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Trais

















Trêmulo, falho nas palavras.
Estou enfim, exaustado
Carregado pelo meu passado
Sem amigos à ponta da carruagem

Vago na minha mente
Me constranjo com minhas lembranças
Tudo me repudia
Remete-me a mim

Transportado para o chão sólido
Sinto-me forma volúvel
Transduzindo como corrente
Um jorro sanguíneo

Vejo a faca resplandescente, agora
Atrai-me como mariposa
Pousa sob meu peito
Lastimo o oxigênio roubado

A terra leva-me tão profundamente
Que na inércia, fico insensível
Não mais frio que já era
Defuntado
Não mais só que era
Parto.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Ao Pé do Inverno


Mas então
Depois de toda essa experiência
Até aqui
O que nos custou tudo isso?

As lágrimas que retemos 
As cicatrizes que abrimos
Os sentimentos que enterramos
Fases e fases atrás? 

Do que me adiantou simplificar
Tudo que sempre complexei 
Do que adiantou prolixar(sic)
Se escancarei tudo mais tarde?

Ah, eu não sei
Se evoluí, se regredi
Se foi compensador mergulhar
Onde só fluí e fluí
Até cansar
E morrer
Ao pé 
do 
Inverno.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Aridez

amor me soa simplista
Empático e celso. Neutro
Sabido demais, mas sem didática
Me ensinou a não entender nada

amor é sumariado, mas sem método
Desleixado, mas preocupa demais.
Distante, com certeza.
Entrar em uma luta com facas
Por um pote de nada.

Eu sou ingrato com o amor
Nem nunca soube ter apologia
Me soa trivial, mas sei que não é vasqueiro
É clandestino, mas não sabe roubar nada.

Nunca valeu a pena
Mas hoje eu estou despenado.
Cheiro que deixa rastro.
Não lhe quero mais
Quero elucidação! Razão e objetividade

Esse aí me soa indiferente
Cumpro pena por uma saciedade
Que o amor nunca satisfez.
Mas que ontem a noite foi suprida

sábado, 21 de dezembro de 2013

Saturado



















Eu sou a forma mais volúvel
Preencho todo o abismos
Todos os cantos

O único átomo adaptável
Eletronegatividade incalculável
Me afasto de tudo
Sempre com tendência a perder

Sou forçado a me isolar
Quanto mais me afasto
Me conheço menos

Sou sangue gelatinoso
Bombeio a cidade de Laís
Mas não tem com quem ceiar

Encharco a roupa maltrapilha do ontem de lamentos
E o amanhã torce sobre mim...
meu choro


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Preench


Há uma fome
Que disseca os ossos
Me faz de joelhos
e despedaça em pó

Há uma sede
Traiçoeira como a morte
Evapora toda vida
E me leva como pena

Há um silêncio
Que grita por ser preenchido
Ecoa nos sete cantos
Mas não pode ser ouvido

Há em mim uma necessidade
Tão grande que nada preenche
Tão pequena que nada cabe

Há um desejo que nunca vai ser satisfeito
Nenhuma melodia, nem o canto da manhã
Se eu correr vou cair
Se eu tentar vou desfazer

Não vou ser preenchido, minha vida é uma busca
Uma busca pelo que só posso receber em fragmentos

domingo, 13 de outubro de 2013

Vide Vida!














Somos um vetor
Há aqueles que mencionam reviravoltas
Porém, a vida, objetiva, sabe o caminho rápido
Não que esta não aprove dificuldades
Ao contrário, ela é inerente a complexidade
Entretanto, curta, longa, distante
Não aprova enigmas

Um novelo de lã
A um chute de se desenrolar
Ainda impreenchida(sic), suavemente desenha no chão
Como uma oferta no piso de madeira
Escolhe o caminho grande onde a luz não toca
Ou foge para ver o sol

Há os vivos
Os que rolam no revés
Os que sobem tanto, que no último andar do apartamento, caem
Os que, incolores, são passíveis a serem pisoteados

Ainda, AINDA!
Há os que carregam vida
Aqueles que não se contentam em viver
Aqueles que ultrapassam outras linhas
Aqueles! Os revoltosos!
Ora perseguidos, ora abraçados

São os que marcam o tempo d'outras linhas
Que desentoam-a no compasso
E a faz mista com a clave de fá
Afinal qual a graça do Si branco
Se não á notas pretas pra lhe fazer companhia?

sábado, 5 de outubro de 2013

Vidrosseria













Queria me dividir, mas era espelho
Dei um soco, fragmentei-me
Fragilmente, sou pedaços
A um sopro de cair
Distorcido!

Vejo as mesmas quatro paredes
As sombras desenhadas n'uma delas
Um espelho em um quarto é irrelevante
Sempre de perfil, vejo desenhos do reflexo

Não há janelas, o Sol não me invade
Queria queimar os olhos
Mais evitado!

Desejo a brisa de outono
O dia em que serei levado
Cortarei as faces
Longe de mim, não me recordarei

Desejo um martelo
Que me petrifique no nada
Torna-me areia no chão
Pérola transparente

Desejo a inexistência
Ser o que as rochas pensam
Penetrar a vasculosidade do nada