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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Bloodleech

Mame, pequeno ser
Finque seus dentes em minhas veias e sugue minha vida
Aproveite que não posso correr
Aproveite que não tenho outra saída

Sugue enquanto minhas entranhas não se dão por vencidas
Enquanto meus olhos me dizem o que não quero crer
Enquanto minha morte se recusa a morrer
Enquanto não me sobra mão amiga

Sugue enquanto minha carne sente dor
Enquanto eu não morro
Enquanto minha alma se desfaz em terror

Vá em frente, de forma alguma eu corro
Porque eu grito “meu amor”
Ao invés de gritar “socorro”

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Sono io il pagliaccio?

Comecei a piada
Mas não precisei terminá-la
As pessoas já estão rindo
Porque eu sou a piada

Sou um animal infeliz
Solitário numa jaula gélida
Cercado por dezenas de pessoas
Que pagam pra me ver definhar-me neste zoológico

Engraçado para os leigos
Interessante para os psicanalistas
Penoso para os piedosos
Melancólico para mim

O respeitável público ri
Afinal, o circo já chegou
O admirável público ri
E eu ainda não vejo a menor graça.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Apocalipse, por favor

Acabar?
O mundo não vai acabar.
Quem me dera o mundo acabasse.
Seria muita misericórdia divina

É difícil acreditar que o mundo vai perecer
Quando se sabe que piedade não é seu forte
Não acho que terei tal prazer
Duvido que não haja sofrimento antes da morte

Aliás, já há sofrimento.

Oh, profeta!
Por que estás errado?
Gostaria de explodir
Com quem sofre ao meu lado

Oh, poeta!
Seu porco sem coração
Por que criaste um personagem
Feito pra agonizar de desilusão?

O mundo não vai acabar
Pena.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mas o sofrimento nunca jaz

"In that moment you realise
That something you thought would always be there
will die
Like everything else"

When Anger Shows - Editors
Sinta-se bem-vindo ao Cemitério de animi motus¹
Onde ainda se entoam as cantigas de roda
Das crianças que morreram antes do amor
Onde ainda ressoa o bandolim e o choro
Dos amantes platônicos que agora a terra traga

Bem-vindo à capela mortuária
Onde as orações das mães desamparadas ecoam eternamente
Onde a viúva ainda grita em vão pela volta do amado
Onde o silêncio ensurdecedor dos suicidas é ouvido de longe

Este cemitério tem um lago
Salgado, porque é feito de lágrimas
Frio, porque é cercado por emoções mortas
Seco, porque o lago também está morto

Diariamente visitado por em média zero viv'almas
Visitado por lamentações e angústias
Habitado por melancolia e esquecimento
Seja bem-vindo ao Cemitério de animi motus
Seja bem-vindo ao seu fim

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Poupa-me


Poupa-me de tuas liras
Liras de amor, liras de sentimento
Que quando analisadas mais adentro
Desmascaram meras mentiras

Se não diferencias um romance de um momento
Se achas tão legal jogar palavras ao relento
Se queres repetir vencidas ideias antigas
Simplesmente nada digas

Fingir sentimentos não te faz sobrehumano
Não te consideres diferente;
Porque achas que sente
Não és algo além de um ser mundano
Que insiste em um assunto reticente

Mas ao invés da reticência levar ao pensar
Ela simplesmente diz que não se deu fim ao pensamento
Pois em seu falso amor, nada há dentro
E ninguém estás conseguindo enganar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A falecida inocência de Vladmir Hyde


Há não muito tempo atrás
Eu aprontava
Como nunca mais fiz
Há não muito tempo atrás
Eu não conhecia da vida
Sua raiz

Quando eu não sabia que os humanos eram perversos
Quando eu não sabia que somos tão perversos
Quando eu não sabia o quão perverso
Quando eu não sabia que eu era perverso

Inocente momento,
Sem par
Eu perguntava sobre tudo,
Sem parar
Eu deveria ter parado
Eu deveria ter parado...

Tudo estava em seu lugar
Conheci o mundo
E vi tudo se desarrumar
Eu deveria ter parado
Eu deveria ter parado...