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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Preench


Há uma fome
Que disseca os ossos
Me faz de joelhos
e despedaça em pó

Há uma sede
Traiçoeira como a morte
Evapora toda vida
E me leva como pena

Há um silêncio
Que grita por ser preenchido
Ecoa nos sete cantos
Mas não pode ser ouvido

Há em mim uma necessidade
Tão grande que nada preenche
Tão pequena que nada cabe

Há um desejo que nunca vai ser satisfeito
Nenhuma melodia, nem o canto da manhã
Se eu correr vou cair
Se eu tentar vou desfazer

Não vou ser preenchido, minha vida é uma busca
Uma busca pelo que só posso receber em fragmentos

domingo, 13 de outubro de 2013

Vide Vida!














Somos um vetor
Há aqueles que mencionam reviravoltas
Porém, a vida, objetiva, sabe o caminho rápido
Não que esta não aprove dificuldades
Ao contrário, ela é inerente a complexidade
Entretanto, curta, longa, distante
Não aprova enigmas

Um novelo de lã
A um chute de se desenrolar
Ainda impreenchida(sic), suavemente desenha no chão
Como uma oferta no piso de madeira
Escolhe o caminho grande onde a luz não toca
Ou foge para ver o sol

Há os vivos
Os que rolam no revés
Os que sobem tanto, que no último andar do apartamento, caem
Os que, incolores, são passíveis a serem pisoteados

Ainda, AINDA!
Há os que carregam vida
Aqueles que não se contentam em viver
Aqueles que ultrapassam outras linhas
Aqueles! Os revoltosos!
Ora perseguidos, ora abraçados

São os que marcam o tempo d'outras linhas
Que desentoam-a no compasso
E a faz mista com a clave de fá
Afinal qual a graça do Si branco
Se não á notas pretas pra lhe fazer companhia?

sábado, 5 de outubro de 2013

Vidrosseria













Queria me dividir, mas era espelho
Dei um soco, fragmentei-me
Fragilmente, sou pedaços
A um sopro de cair
Distorcido!

Vejo as mesmas quatro paredes
As sombras desenhadas n'uma delas
Um espelho em um quarto é irrelevante
Sempre de perfil, vejo desenhos do reflexo

Não há janelas, o Sol não me invade
Queria queimar os olhos
Mais evitado!

Desejo a brisa de outono
O dia em que serei levado
Cortarei as faces
Longe de mim, não me recordarei

Desejo um martelo
Que me petrifique no nada
Torna-me areia no chão
Pérola transparente

Desejo a inexistência
Ser o que as rochas pensam
Penetrar a vasculosidade do nada 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Away















Encruzilhado, enraizado na maestria
No ângulo de noventa graus
Estou parindo agora
Partindo

Olho pegadas e trilhos permeados
Não posso continuar, vago
Pego um novo vagão
Sou levado

Segurança do passado não passar
Estou sempre com retrovisor
Precavido de fantasmas
Até os velhos

Seguro de tudo, sou inseguro
Seguro nos bancos
A cada tremura
gemo!

Num sinal da noite
A morte me levou
Não senti nada
Vi, nunca vivi!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Falsa Finesse


Mais vale um pássaro na mão
Do que uma pena no tinteiro.

Mais vale uma palavra curta e grossa
Do que a falsa finesse.

Mais vale o calmo
Do que o desenfreado.

Mais vale lá deixar
Do que aqui proibir.

Com a pena no tinteiro,
Cheio de uma falsa finesse,
Escrevo desenfreado,
Antes que venham me impedir.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sarcófago


Cada passo meu, é inerente ao desastre
A inércia, a implosão perpétua
Pisado, como asfalto vivente
Todo sinal do semáforo é destrutivo
Não posso parar
Não posso prosseguir

Sou perseguido pela cavalaria
Perdi meu sapato na segundo andar
Estou esperando um cavalheiro
Sinto que não sinto

Sou um fugitivo do vento
De cada rugido, sensação de barulho
Fujo do próprio eco
Fujo por que corro
Corro por paz

Talvez se jazer, gozarei...
Ser ossos no sepulcro caiado
Enojado de nenhuma flor
Carcomido eterno por aquela que já me alimentei

Permeável esquecimento
Almejo enublar meus pensamentos
E em diante, sem instintos, não mais...


*pausa*



Respir...
AR!


domingo, 25 de agosto de 2013

Este Bordo


Ao abrir os olhos
Sinto as ondas
Enojado
Esfomeado
Desdentado,
Criança de berço

Parti em um parto
Sem orientação
Síntese ou marcação
Nasci no mar
E não sei pescar

Permito ser levado,
Nunca fui orientado
Sem limite ou intenção
Parto em parto

Sou marinheiro, solitário
Sigo sempre Norte
Embora tempestuoso,
Nublado,
Amarelado

Sigo o Sol, a Lua
Envolta de noite, de dia
Circulando a eternidade

Danço em feridas
E sem espírito
Embebedo a água
Como a merda
Empoeirada, mastigada
Cheiro à cera de Hefesto

Sem nudez
Embriaguez
Clamo emancipação
Pois vivo em pleno mar
Preso pela madeira do meu navio

Vivo trilhos navegados
Pegadas extorquidas
Sou do tempo, titactando
Sou da vida, ensinado.