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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Away















Encruzilhado, enraizado na maestria
No ângulo de noventa graus
Estou parindo agora
Partindo

Olho pegadas e trilhos permeados
Não posso continuar, vago
Pego um novo vagão
Sou levado

Segurança do passado não passar
Estou sempre com retrovisor
Precavido de fantasmas
Até os velhos

Seguro de tudo, sou inseguro
Seguro nos bancos
A cada tremura
gemo!

Num sinal da noite
A morte me levou
Não senti nada
Vi, nunca vivi!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Falsa Finesse


Mais vale um pássaro na mão
Do que uma pena no tinteiro.

Mais vale uma palavra curta e grossa
Do que a falsa finesse.

Mais vale o calmo
Do que o desenfreado.

Mais vale lá deixar
Do que aqui proibir.

Com a pena no tinteiro,
Cheio de uma falsa finesse,
Escrevo desenfreado,
Antes que venham me impedir.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sarcófago


Cada passo meu, é inerente ao desastre
A inércia, a implosão perpétua
Pisado, como asfalto vivente
Todo sinal do semáforo é destrutivo
Não posso parar
Não posso prosseguir

Sou perseguido pela cavalaria
Perdi meu sapato na segundo andar
Estou esperando um cavalheiro
Sinto que não sinto

Sou um fugitivo do vento
De cada rugido, sensação de barulho
Fujo do próprio eco
Fujo por que corro
Corro por paz

Talvez se jazer, gozarei...
Ser ossos no sepulcro caiado
Enojado de nenhuma flor
Carcomido eterno por aquela que já me alimentei

Permeável esquecimento
Almejo enublar meus pensamentos
E em diante, sem instintos, não mais...


*pausa*



Respir...
AR!


domingo, 25 de agosto de 2013

Este Bordo


Ao abrir os olhos
Sinto as ondas
Enojado
Esfomeado
Desdentado,
Criança de berço

Parti em um parto
Sem orientação
Síntese ou marcação
Nasci no mar
E não sei pescar

Permito ser levado,
Nunca fui orientado
Sem limite ou intenção
Parto em parto

Sou marinheiro, solitário
Sigo sempre Norte
Embora tempestuoso,
Nublado,
Amarelado

Sigo o Sol, a Lua
Envolta de noite, de dia
Circulando a eternidade

Danço em feridas
E sem espírito
Embebedo a água
Como a merda
Empoeirada, mastigada
Cheiro à cera de Hefesto

Sem nudez
Embriaguez
Clamo emancipação
Pois vivo em pleno mar
Preso pela madeira do meu navio

Vivo trilhos navegados
Pegadas extorquidas
Sou do tempo, titactando
Sou da vida, ensinado.  

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Custo

Dispa-te da insegurança
Sede de cunho irrepreensível
Banha-te da pureza
Trilha minhas pegadas

Como em coleira
Retenha-te aos meus puxões 
Aleijarei-te e em ti existirão lacunas

Mas se por ora manter-te cabisbaixo
E não analisar a trilha
Em silêncio cobrirei teus olhos
Tirarei tua coleira e seguirás em trilha

A chegada lhe será indiferente
Pois quando em abismo
encontrará quietude e plenitude 
E no fim da infinitude, verás, paraíso

Sou-te pois e a todos, caminho.

domingo, 21 de julho de 2013

Cale a boca

Silêncio, tão denso
É tudo que penso
Resposta pra tudo, é tenso
É de um útil imenso
Diz tudo sem falar nada; intenso
Quer tudo sem querer nada; pretenso
Shh… Silêncio.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Virtual













Me questionaram sobre tu
Se eras real, se...
Se posso tocar-te, sentir-te
Ter-te, ouvir-te

Surgiu pois dúvida uma
Sobre o que era real
Devera, onde vivo, não me movo
Sequer, transpasso
É superficial, vazio!

Entretanto acheguei-me a ti,
e o fiz pela superfície plana e virtual,
O que está por fora, é por sua vez, superfície
O mundo físico, é superficial
Entretanto, o mundo pelo qual te encontrei...
Não estava ao alcance dos olhos
Estava debaixo das mais densas camadas de ti
Estava por detrás de toda sua obscuridade

Devera, não sinto teu toque, não ouço tua voz
Mas por sua vez, tua poesia exprimida em canto...
Tocou-me. E sua voz, eu ouvia no pulso da tua mais velha cantiga

Olhar nos teus olhos? Tenho sempre esse prazer
Creio que os olhos sejam a passagem da carne para a alma
E de alguma maneira, encontrei essa passagem, minh'alma.

"But if it's true
You can see it with your eyes
Oh, even in the dark" - Brick By Boring Brick





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