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terça-feira, 23 de abril de 2013

In-umbra

A luz é toda a extremidade
Ela contempla, conduz e compõe
Luz que vida traduz
A extremidade perfeita

Luz que emite compassos
Inaudíveis ao passo
Do tempo que voa,
ela chega mais depressa

A luz é o papel branco
Que só pode se tornar tom claro, quando se mescla com a sombra

É a composição fatal
São as notas mais extensas do piano

A luz é aquela que se vê mesmo no escuro
Poderosa reluz, cautelosa, conduz a mariposa;
ilumina meus pés

É lampada de barbeiro 
Em um canto secado com goteira tremenda
Que machuca os olhos de quem por muito viveu...
Na sombra

É a simples ciência da consciência
A complexidade da mais simples forma
A maestria da paz
A ataraxia solidada

quarta-feira, 27 de março de 2013

Nado Incerto


Talvez eu queria nadar
A milhas de distância
E fingir que o oceano
Não me empurra cada vez mais.

Talvez eu queira me perder da terra
Submergir e imergir sem pressa
Esperando o mundo todo mudar
A cada vez que reencontro o sol.

Talvez eu queria mesmo me perder
Ficar com a angústia de que tudo
Talvez nem dê certo mesmo.

Talvez se o oceano me engolisse
Eu me lembraria de que ninguém
Pode ficar pra sempre sem respirar.

Mas Talvez
Só Talvez
Seja tudo que eu precise
Para eu me endireitar
Em cima da prancha da vida real
E flutuando no grandioso mar fantástico.

Precavido













Sem pressa prevê o que há de ser
Sem condolência ignora o entardecer
Sem consciência, deixa de ser

Corta suas asas com a compreensão
Degola a imaginação com o conformismo
Disseca a sensação com a prevenção

Precavido de experiências
Precavido de ver
Precavido de viver

A morte que não lhe causa espanto
Traz, sublime; a sensação de suspense
Sua linha de vida tênue
Com todos os roda-pés preenchidos
Lhe causa insatisfação

Dado por surpreendido
Nota que sempre a notar
Nunca veio a integrar

A solidão que como uma faca de serra
Trazia-lhe sensação gradual de morte
Até quando torna o fatal... Entediante

domingo, 24 de março de 2013

Sobre viver


Qual é o sentido da vida?
Pergunta o medíocre
A vida precisa fazer sentido?
Indaga-se o sábio

O medíocre procura sentido em tudo
Vive sem fugir de padrões
Padroniza, fugindo de viver
Acha que toda pergunta carece de resposta

O sábio usa a incerteza a seu favor
Mesmo que o destino exista, é imprevisível
Então não há porquê procurar sentido
Uma vez que as coisas não necessariamente fazem sentido

O medíocre teme morrer
Sem saber porque nasceu
Enquanto o sábio sabe que o sentido da vida
É para frente…

sábado, 23 de março de 2013

Chosen, Lost and Locked Solitude of the Ancient Poet


Ouvi falar que escolher um titulo comprido 
Pode dizer coisas ruins sobre o poeta
Uma insegurança, um bloqueio, uma expressão contida
O desejo por uma experiência que o leve a escrever novamente.

Imaginação
Fluir
Olhos 
Fechados
Corpo 
Subir
Caminhos 
Errados.

Se perde
Na pista
Um Ponto 
De vista.

Ninguém 
Que perceba
Ninguém
Retroceda.

Não há
Uma saída
Caindo
No poço.

Ponto de vista
Caindo no poço
Se perde na pista
Ninguém que perceba.

Retroceda.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Linha Tênue



Há uma linha tênue entre
A vontade que te alimenta 
e o vício que te consome.
O toque que arrepia
e o tapa que amedronta.
Os olhos que nos perseguem
e a segurança que aprisiona.
A perigosa loucura
e a pacífica sanidade.
A complexa ilusão
e a simples realidade.
A ardilosa mentira
e a mais pura verdade.


Quero trocar o ódio destruidor
pela alegria que renova.
Quero os dias ensolarados
invés das noites tempestuosas.
Quero apenas a paz que purifica
e o amor que completa.
Anseio por mais um dia
após esse que se encerra.


Por Scarlett

sábado, 2 de março de 2013

Superfície


Hoje eu vim lhe trazer mais que restos
Hoje vim lhe perguntar... Se daí do calabouço
Achas que o mais alto é o topo?
Se as aves que fazem barulho são hipótese
E as estrelas que brilham bem no alto são ilusões...

Porque se achares, daí descobrirei que vivo num calabouço
Descobrirei que existe algo melhor lá bem em cima
Acima das estrelas

Eu voaria numa pipa, cruzando as fendas do universo
E a imensidão seria brincadeira de roda
Eu seria uma roda de fogo, um vazio preenchido
Os meus sonhos pareceriam pesadelos

Eu não seria temeroso quanto a nada
Não sentiria saudade de querer estar aqui
Nunca me sentiria só, pois como as estrelas...
Mesmo na escuridão, uma luz em mim resplandece

Meu travesseiro seriam as nuvens
E o amanhecer olhar pro lado
E quando o despertador tocasse
Desejaria nunca ter sonhado

Eu riria sem fim do sol caçoando da Lua
Desejaria não desejar mais nada
Até que eu cansasse
Aposentasse minha pipa, e virasse uma estrela... Brilhar

Mas se tiveres certeza que tem algo melhor na superfície
Eu não sei que valor tem sonhar
Se nunca se realizará