segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Falsa Finesse
Mais vale um pássaro na mão
Do que uma pena no tinteiro.
Mais vale uma palavra curta e grossa
Do que a falsa finesse.
Mais vale o calmo
Do que o desenfreado.
Mais vale lá deixar
Do que aqui proibir.
Com a pena no tinteiro,
Cheio de uma falsa finesse,
Escrevo desenfreado,
Antes que venham me impedir.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Sarcófago
Cada passo meu, é inerente ao desastre
A inércia, a implosão perpétua
Pisado, como asfalto vivente
Todo sinal do semáforo é destrutivo
Não posso parar
Não posso prosseguir
Sou perseguido pela cavalaria
Perdi meu sapato na segundo andar
Estou esperando um cavalheiro
Sinto que não sinto
Sou um fugitivo do vento
De cada rugido, sensação de barulho
Fujo do próprio eco
Fujo por que corro
Corro por paz
Talvez se jazer, gozarei...
Ser ossos no sepulcro caiado
Enojado de nenhuma flor
Carcomido eterno por aquela que já me alimentei
Permeável esquecimento
Almejo enublar meus pensamentos
E em diante, sem instintos, não mais...
*pausa*
Respir...
AR!
domingo, 25 de agosto de 2013
Este Bordo
Sinto as ondas
Enojado
Esfomeado
Desdentado,
Criança de berço
Parti em um parto
Sem orientação
Síntese ou marcação
Nasci no mar
E não sei pescar
Permito ser levado,
Nunca fui orientado
Sem limite ou intenção
Parto em parto
Sou marinheiro, solitário
Sigo sempre Norte
Embora tempestuoso,
Nublado,
Amarelado
Sigo o Sol, a Lua
Envolta de noite, de dia
Circulando a eternidade
Danço em feridas
E sem espírito
Embebedo a água
Como a merda
Empoeirada, mastigada
Cheiro à cera de Hefesto
Sem nudez
Embriaguez
Clamo emancipação
Pois vivo em pleno mar
Preso pela madeira do meu navio
Vivo trilhos navegados
Pegadas extorquidas
Sou do tempo, titactando
Sou da vida, ensinado.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Custo
Dispa-te da insegurança
Sede de cunho irrepreensível
Banha-te da pureza
Trilha minhas pegadas
Como em coleira
Retenha-te aos meus puxões
Aleijarei-te e em ti existirão lacunas
Mas se por ora manter-te cabisbaixo
E não analisar a trilha
Em silêncio cobrirei teus olhos
Tirarei tua coleira e seguirás em trilha
A chegada lhe será indiferente
Pois quando em abismo
encontrará quietude e plenitude
E no fim da infinitude, verás, paraíso
Sou-te pois e a todos, caminho.
domingo, 21 de julho de 2013
Cale a boca
Silêncio, tão denso
É tudo que penso
Resposta pra tudo, é tenso
É de um útil imenso
Diz tudo sem falar nada; intenso
Quer tudo sem querer nada; pretenso
Shh… Silêncio.
É tudo que penso
Resposta pra tudo, é tenso
É de um útil imenso
Diz tudo sem falar nada; intenso
Quer tudo sem querer nada; pretenso
Shh… Silêncio.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Virtual
Me questionaram sobre tu
Se eras real, se...
Se posso tocar-te, sentir-te
Ter-te, ouvir-te
Surgiu pois dúvida uma
Sobre o que era real
Devera, onde vivo, não me movo
Sequer, transpasso
É superficial, vazio!
Entretanto acheguei-me a ti,
e o fiz pela superfície plana e virtual,
O que está por fora, é por sua vez, superfície
O mundo físico, é superficial
Entretanto, o mundo pelo qual te encontrei...
Não estava ao alcance dos olhos
Estava debaixo das mais densas camadas de ti
Estava por detrás de toda sua obscuridade
Devera, não sinto teu toque, não ouço tua voz
Mas por sua vez, tua poesia exprimida em canto...
Tocou-me. E sua voz, eu ouvia no pulso da tua mais velha cantiga
Olhar nos teus olhos? Tenho sempre esse prazer
Creio que os olhos sejam a passagem da carne para a alma
E de alguma maneira, encontrei essa passagem, minh'alma.
You can see it with your eyes
Oh, even in the dark" - Brick By Boring Brick
Para Gabéz
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Meio
Tenho uma meia dúvida, senhora
Uma meia conspiração a ti
E basta meia página pra contar-lhe
E há só um meio de te falar
E para que não sobeje lágrimas...
Serei ríspido nas palavras:
"Querida...
Sinto, pois, deixar-lhe informações incompletas
Mas sinto que poupar-te do fardo;
Seja, pois, de maior prudência.
Não nego-lhe o fato, que é em demasia meu apreço por ti
Entretanto, sabes que o vento é inusitado
Ele tema em levar o dente-de-leão
E deixar intacto, o cacto
Carcome as mais verdes plantas
E nunca derruba o ímpio
E traiçoeiro assim, ele nos separará
Nos fará em pedaços
E assim, jogados ao vento
Vento traiçoeiro
Não sei se um dia nossos pedaços
Repousarão, pois, sobre chão sólido
Mas por agora, estão separados
E nossas vidas também"
Sei que prometi não ser subjetivo
Mas as lágrimas desenharam os últimos versos
E minha força não pode detê-las.
Não temo mais partir, se não, partir-te
Prometa entender, suportar.
Entretanto, nunca aguarde minha chegada.
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